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As balizas 3-6-9-12

14 de setembro de 2020

Para proteger nossas crianças dos perigos das telas e ensinar-lhes a se autodirigir e a se autoproteger.

 

Antes dos três anos: brinquemos, falemos, desliguemos a televisão.

Nessa idade, a criança constrói sua personalidade e seu cérebro. Quanto mais tempo ela estiver diante de telas, menos tempo ela terá para jogos criativos, atividades interativas e outras experiências cognitivas sociais fundamentais. Capacidades tais como o espírito de partilha, o apreço e o respeito pelos outros, que são conquistas que se enraízam na primeira infância, se veem por isso mesmo ameaçadas. 

A criança deve adquirir nessa idade as quatro bases de sua futura socialização: a linguagem, as habilidades motoras, as capacidades de atenção e de concentração e o reconhecimento de mímicas. 

Estas capacidades não têm muito a ver com telas.

Elas só podem se desenvolver numa relação viva e interativa com um adulto ou outra criança. 

Nosso conselho: Nunca deixe uma criança sozinha diante de uma tela, ou num aposento em que há uma tela ligada. Isso não impede de brincar de vez em quando com a criança utilizando um aplicativo divertido, mas sempre por curtos períodos e com uso orientado.

 

De 3 a 6 anos: vamos limitar as telas, compartilhá-las e falar disso em família. 

Nessa idade, a criança reforça suas aquisições e começa seu aprendizado de autorregulação. Os limites impostos ao tempo de tela devem fazer parte deste aprendizado: de ½ h aos 3 anos a 1 hora diária no máximo aos 6 anos. A tela é um momento a ser compartilhado com os pais. 

Telas no quarto, jamais! Elas devem ficar num aposento coletivo. Evitemos também utilizá-las à noite (as LED perturbam os ritmos do sono), à mesa ou para acalmar uma criança. 

O lema «nenhuma consola pessoal de jogos antes dos 6 anos  », lançado em 2008 no âmbito da campanha « 3-6-9-12 », significa não oferecer antes dos 6 anos ferramentas digitais pessoais à criança, pois a regulação se tornaria quase impossível. As ferramentas digitais devem ser familiares. 

É igualmente importante fixar um horário quotidiano para a criança a fim de habituá-la a associar as telas a uma duração. 

Enfim, não nos esqueçamos de estimular as atividades físicas e de criação manual, como a dobragem, o corte, a colagem, a cozinha, a bricolagem...

Nosso conselho: Compartilhemos tempos de tela com nossos filhos e falemos com eles do que eles veem e fazem de seus tempos. 

 

De 6 a 9 anos, criemos com as telas, expliquemos Internet às crianças.

No período que vai dos 6 aos 9 anos, aprendemos  as regras do jogo social. Compremos para nossa criança uma máquina fotográfica digital e expliquemos a ela o direito à intimidade e o direito à imagem.

Vamos nos interessar e despertar o interesse de nossas crianças pelas ferramentas de criação digital disponíveis: Scratch, programas de Stop Movie. Convidemos a criança a criar com as telas. 

Comecemos a discutir também sobre a idade em que a criança terá seu primeiro celular e a fixar regras familiares respeitadas por todos: nada de celular durante as refeições nem à noite. 

Nosso conselho: deve haver um despertador em cada quarto! 

 

De 9 a 12 anos: ensinemos a criança a se proteger e a proteger suas conversas 

As crianças que passam muito tempo diante das telas apresentam baixa capacidade de atenção e de concentração. O cérebro delas se acostuma a acompanhar ou encadear movimentos ou ações ao invés de se mobilizar voluntariamente frente a uma tarefa. 

Encorajemos a criança a gerir seu tempo de tela distrativa convidando-a a utilizar um « carnê de tempo de tela ».

Conversemos também sobre o que ela vê e faz com as telas.

E expliquemos as 3 regras de Internet à criança : tudo o que gente põe lá dentro pode cair no domínio público, tudo o que a gente lá põe, lá fica para sempre e não se deve necessariamente acreditar em tudo o que gente encontra ali. 

Nosso conselho: por precaução, atrasemos o máximo possível o momento de comprar um celular para nossos filhos. E que seja um aparelho de funções limitadas – telefone flip sem Internet nem tela tátil -, e instalemos um aplicativo de limite do tempo de uso diário. 

 

Depois dos 12 anos : Continuemos disponíveis

A criança busca cada vez mais referências fora da família, mas ainda precisa da carinhosa atenção de seus pais, por mais que tente demonstrar o contrário!

Os perfis nas redes sociais devem ser parametrizados no modo privado. 

Os laços tecidos através das telas (a começar pelas redes sociais e pelos videojogos) são benéficos se forem mantidos e reforçados por laços reais, sobretudo com colegas da escola. 

Nada de celular à noite no quarto: a redução do tempo de sono tem consequências problemáticas que afetam memória, humor, capacidades de atenção e de concentração, alimentação e finalmente o desempenho escolar. 

Limitemos o tempo dedicado aos videojogos: o aumento das capacidades de decisão e de ação rápida se faz em detrimento das capacidades ligadas ao distanciamento e ao controle dos impulsos. 

Nosso conselho: Incitemos nossos adolescentes ao uso direcionado das tecnologias, para atividades precisas e não por tédio, e a não comer diante de telas.

 

E em qualquer idade...

Nosso conselho: Para o bom uso das telas sem perder tempo diante delas, perguntemo-nos sempre se ficamos presos a elas pelo prazer que elas nos proporcionam ou se na verdade estamos buscando esquecer alguma preocupação. No segundo caso, corremos o risco nunca mais conseguir largá-las!

Serge Tisseron
Psiquiatra, doutor em psicologia
Serge Tissseron é psiquiatra, doutor em psicologia, diretor de pesquisas, membro da
Academia de tecnologias, pesquisador associado à Universidade de Paris (CRPMS).

Por Serge Tisseron

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